24.5.06

Hector Ruiz e os 10 anos da AMD Brasil



Hector Ruiz, CEO da AMD, está no Brasil. O mexicano-americano, simpaticíssimo, veio para os eventos de comemoração de dez anos da subsidiária local, a primeira a surgir na América Latina (hoje o Brasil concentra as operações da região, mas há escritórios na Argentina e no México). Em um almoço com a imprensa especializada, ele falou sobre PCs para inclusão digital, novos modelos de negócios para a AMD e sobre a parceria com a Dell. A seguir, um resumão da conversa:

Concorrentes, notebooks e servidores: Ruiz acredita que a próxima fase da AMD está em “reinventar a computação móvel”. “Falta inovação nesta área, sem recursos novos e diferenciais de mercado. Vamos fazer para a mobilidade o que fizemos no mercado de servidores”, disse Ruiz. Em resumo, a AMD lançou o chip Opteron para servidores em 2002 (quando não tinha nada de participação em vendas de servidores) e hoje já tem 20% do mercado – graças ao bom desempenho do próprio Opteron (o primeiro a rodar instruções 32/64 bits em um processador só) e aos tropeços do Itanium, da Intel, que não deu muito certo. “Agora o mercado sabe que são dois fornecedores grandes, não só um”, disse. “Mas pelo menos com o aumento de competitividade por parte da AMD, a Intel se tornou uma companhia melhor – isso é o básico da concorrência.”
Ruiz deu a entender que, em notebooks, faltam opções. Tem que ser do tipo que o usuário quer usar, atendendo suas necessidades – não apenas as do fabricante. “Notebooks podem ser segmentados, com preços e recursos diferentes, personalizados. Hoje todos têm a mesma cara”. Ele afirmou que a AMD trabalha com seus parceiros de hardware para “melhorar a experiência em mobilidade”.

Inclusão digital: A AMD faz parte do projeto One Laptop per Child, tem o PIC, o PC movido a Windows CE, à venda no Brasil e incentiva o projeto 50x15. Ruiz acredita que não adianta falar apenas do custo do hardware (nos próximos dias, em Recife, a Intel deve dar detalhes do EduWise, o notebook educacional). “É uma iniciativa que inclui o custo do produto, seus recursos, os serviços oferecidos, financiamento. A concorrência só olha para o custo do hardware”, critica. “Quem vive em países desenvolvidos, com mercados maduros, pensa que os mercados emergentes querem um Rolls Royce completo, e essa não é a idéia”. O trabalho de inclusão digital é grande: o CEO da AMD acredita que, nos próximos cinco anos, os países emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China etc) vão gerar uma demanda de mais de 1 bilhão de pessoas com computadores. “Tem que ser barato, mas tem que ser de alta qualidade”.

Parceria com a Dell: Quebrar a muralha da Dell – até então restrita ao mundo Intel – é motivo de comemoração para a AMD, mesmo que seja apenas para servidores, por enquanto. E os desktops Dell com AMD, quando chegam, sr. Ruiz? “Bem, estamos esperançosos de aumentar a parceria com a Dell”.

***

É claro que, durante o almoço, não faltou a pergunta clássica "e a fábrica de semicondutores no Brasil, quando vem?". Bem, não vem, por enquanto. Enquanto a Intel tem fábricas por todo o mundo, a AMD se concentra em poucas plantas (Alemanha, China e Malásia, se não me engano). A razão de não ter mais? "Somos um décimo do tamanho da Intel." Quando precisar e quando encontrarem um lugar com boa infra-estrutura (água, eletricidade etc), irão pensar em uma nova fábrica. Eu acho que no dia que alguém anunciar uma fábrica de chips no Brasil, seja Intel, AMD ou quem for, o povo que sempre pergunta a mesma coisa ano a ano não vai acreditar não. Ruiz até ironizou, disse que todo país emergente que ele vai fazem essa pergunta. Bem, perguntar não ofende, certo?

4 comentários:

Bruno Ferrari disse...

legal aqui Henrique. grande abraço.

Alê disse...

Henrique, perguntar não ofende, mas eu juro que não aguento mais essa obsessão com fábrica de processadores no Brasil! ô coisa chata!!!!
E belo resumo do que foi o almoço: no próximo fechamento eu vou ficar na redação e esperar vc atualizar o blog... hehehehehe

Henrique disse...

Alê, essa coisa da fábrica é bem neurótica mesmo (isso pq. a pessoa que mais pergunta sobre isso não foi ao almoço, ainda bem!). Acho que um dos presentes ficou martelando na tecla da fábrica só pra conseguir aquela frase maravilhosa pro seu abre de página...

Alê disse...

Nossa, ele tava desesperado por qualquer brecha possível pra explodir na capa: "AMD planeja fábrica no Brasil"... ficou na vontade... hehehehe